por diego el khouri
perambulando
pelas ruas fétidas do abismo
estômago roncando de fome
dentes cerrados
um trago de alguma coisa
a poesia resistindo...
eu
r
e
s
i
s
t
i
n
d
o
...
***
— outsider
da
galáxia
de
parnaso.
por diego el khouri
perambulando
pelas ruas fétidas do abismo
estômago roncando de fome
dentes cerrados
um trago de alguma coisa
a poesia resistindo...
eu
r
e
s
i
s
t
i
n
d
o
...
***
— outsider
da
galáxia
de
parnaso.
por: diego el Khouri
__ você pinta pequi?
__ não... não pinto pequi.
__ que decepção! mas você não é goiano?
__ e o que tem haver isso?
__ mas pamonha você pinta, né?
__ também não...
__ e Folia de Reis?
__ também não...
__ e Festa Junina?
__ muito menos...
__ tem certeza que você é artista goiano?
Título: Século Sinistro
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 40 x 30 cm
Artista: Diego El Khouri
por: diego el khouri
um cinzeiro aberto
emoldura a cena
(entenda)
a paisagem é breve
e pesada
(esqueça)
eu sou um
outsider
da galáxia
de
parnaso
(não veja)
meu peito é uma canção
mal gravada
(reflita)
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Trecho da HQ XXI. Roteiro e desenho: Diego El Khouri
por: diego el khouri
é domingo... ainda dá tempo de vencer o tédio... as dívidas de mercado são monumentos intransponíveis... do meu lado crianças e ratos disputam palmo a palmo o lixo que o burguês vomitou numa noite de sodoma e gomorra. abri os braços e ela me abraçou: a diarreia solitária dos bêbados. nada é fácil quando o possível é um holograma criado por coachs espantalhos de sorrisos brilhosos e sarcásticos. acendo o cigarro. tomo um gole de veneno. e vejo a sombra passar diante dos meus olhos vidrados de poeta embriagado. não quero mais nada. só mais uma baforada. não quero mais nada...
por: diego el khouri
que o fim despedace os sonhos e incinere os últimos dias do poeta.
por diego el khouri
A beleza estava ali e nem pude xingá-la.
título: Terra
técnica: óleo sobre tela
dimensões: 60 x 80 cm
artista: diego el khouri
Por: diego el khouri
cão vagabundo, torto e intragável. as portas todas arrebentadas. Solilóquio do fim do mundo.
Título: Século Sinistro
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 210 mm X 297 mm
Artista: Diego El Khouri
por: diego el khouri
o absurdo é essa sombra refletida no espelho... parece que tudo acabou... mas faltam ainda dois chopes, um beck e mais um e outro delírio... caído bêbado no banheiro no ontem que se revela hoje numa puta dor de barriga... hemorragia... o peito sangra amor... bêbado além da conta... dor se intensifica... sozinho na mais pura solidão... aquilo tudo foi sonho no espetáculo apoteótico dos sagazes humanos-mentiras. guardo no meu bolso o universo. a loucura é um caminho sem volta. pragas nas plagas transcendentais orgíacas. todo careta é um pervertido. toda paixão:
ilusão.
por: diego el khouri
Meus amigos estão morrendo de fome, overdose, descaso e inanição e isso não é mera metáfora nem jogo de palavras.
por: diego el khouri
meu coração é um espantalho. anjo envolto em fezes. sangue coalhado, decrépito. acordei meio dia na noite xamânica dos sem-teto. é tudo merda. placas tectônicas do tédio. a torneira pinga. copos se espatifam na sala. um gato preto e branco me olha de soslaio. eu sei bem o que esse filho da puta quer. uma ração cara, um novelo qualquer e um lugar novo e propício pra cagar. no future. no love. no money. a decadência chupou meu saco, me envolveu os dias, trouxe um tumor embrulhado de presente e colou irremediavelmente em meu peito esse estigma de maldito poeta . rasgo a roupa e esse brinquedinho continua lá. uns tapinhas nas costas. um comentário efusivo aqui e acolá. um certificadosinho vagabundo parabenizando o engajamento cultural. algum sorrisinho escroto com áurea angelical. aperto de mão. beijinho no rosto. afago e carinho. no resto do tempo: deitar tranquilinho no trilho enquanto o trem esmaga diariamente os rins, deitar numa cama de prego ao som de stravinsky, abraçar choques elétricos enquanto qualquer otário ególatra ri . o coração já está numa bandeja rodeado de moscas varejeiras.. e antes a decadência que era um tanto bonita e elegante hoje veste sua legítima roupa de abismo, dor e solidão.
por: diego el khouri
agonia que sobe pelas entranhas. lombrigas saltitantes. testamento. réquiem. pacto nem com o diabo. energia que não abaixa. nem morfina, nem esmagamento. foda-se! passa logo essa garrafa! sem par algum com a multidão. escrever em pé. a droga bate forte. dom quixote de la mancha. macha de tinta em todo vestuário. furos de cigarros. marca-passo. laranja mecânica. os crimes de copacabana não conhecem delegacias. não tô nem aí pro seu time. só vivo sob a esfinge da putrefação. sem lamento e comensurarão. filas de desempregados assolam as curvaturas da minha unha mal cortada. um passe de mágica e tudo continua a mesma merda. um tecladinho vagabundo ali. um peito acolá. uma modinha internética qualquer. troca-se os personagens e a história é a mesma. um dia em algum lugar da metrópole o pau no cu falou mais do que tinha que falar e pleitiou um cargo de poder na câmara municipal. assim que se começa o jogo. eu não saio do buteco. agora quarto e ateliê. banheiro. boas cagadas. a lira dos miseráveis anos. mamadeira de piroca. uma rola desse tamanho. fascistinhas. cordão de isolamento. enjaulado. no meio de não sei o que. não me agrada historinhas. covid 19. manuscrito enterrado no cu de qualquer malditão. eu sou um deles. porra! era uma vez a história de um maluco que sonhou ser poeta e morreu de cirrose.
por: diego el khouri
arpejoseletrônicoscarmidosmuídosruídosnessacidadembiagantemilléguaságuiasaáguachocapodrefedidabocasuicidatristeambiguidadehumanacâncercancrosifilismortefugidianoitequenãoaquecenemferenemmovefometétricaardentenadareluzentebaratastortasgemidosgritosberrosvelaseapagacortaacarafogochamasbrutaiscadafalsomotorengrenagemtorturahumilhaçãoescárniosolferidocorvossoisvispastosolodonemumruinemruídodorsolidãoacançãodameianoitesemluznãotemninguémnemumavoznemabraçomáscaraparedesasfixiantestântricocaosbúdicooutsidervagabundoputolamentoponteirosfacebundaporcossemperolasmentoladopaucuefoicesemfábulasmoraldebostaimpostolatentoinflaçãosemchancedeviversemchancedemorrersemnemoquedizersótragicomédiaumamontoadodeperdidosloucosperdidosrindodefronteamorteaopensamentomortodepoetasórdidoparariremcatarsetriturantetombadanaflâmulaimaculadadotempoperdidodaqueledianosanatórioqueficanahahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahahahahaahahahahahahahhahahaaahhaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahhahahahahahaahhahahahaahahaahhahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahhahahaahahahahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
por: diego el khouri
abriguei em meu peito martelos, pregos e cimentos. enterrei em meu umbigo o apendicite supurado na punheta psicótica que esfregou em meus tímpanos borbulhas de buceta molhada. o dna quase sempre é desgraçado. muitas vezes invariável. aqui na poltrona, um notebook fudido, infiltração na parede, um ventilador velho. do outro lado da janela a venezuelana na porta do supermercado com três criancinhas pedem ajuda, moedas saltitam em bolsos generosos, mas esses estão em alguma clínica de dependentes químicos ou ali no time do fernandinho naquele bairro mais violento que se tem notícia. a chuva cai... aqui não interessa que a chuva caia. pregos cortantes na varanda.
por: diego el khouri
silenciado em silêncio de versos nada amigáveis. barulho de máquina e engrenagem... bermuda queimada de cigarro... volúpia estúpida, torta e intragável.
por: diego el khouri
em posição fetal... corvos cantam a mesma música daquele hospital... agora sem ritmo e melodia... barulho de trem ensurdecido... só não é fantasma porque cago pra clichês! ela está ali do outro lado do país... passarinhos sorridentes vomitam serpentes. as chagas que você colocou debaixo do tapete esfrego minha língua e gargarejo na garganta o pus que a esperança lubridiou... não há lágrimas que não beijam faces e nem cânceres que não se tornam doces se há um alento duradouro nesse rio que namora fronteiras. estou só porque vesti a minha pele nesse corpo que nem coração tem... há um ovo frito no lugar apenas. onde ela está? essa desgraça chamada esperança? está aqui do meu lado escapando do mundo numa descarga de qualquer butequim da avenida goiás ou jacarepaguá. não importa. qualquer muquifo que morei trás um pouco de resistência em seu invólucro manto de fezes. um pouco...um pouco... um pouco... porque o resto é isolamento e escassez... e não adianta falar de política... a moedinha surgiu naquele começo de mês... a saúde só se deteriora porque a foice determinou... quem sacode a cabeça não espera mais ninguém.
por: diego el khouri
cactos, sangue resvala pelo peito/ a fome inevitável de alguma coisa / pés descalços no assoalho / zumbidos asfixiantes / a engrenagem que mutila / a esperança que corrói/ morre ao lado de vermes e bactérias/ vermicida humano / o canto feroz / abismo e precipício / essa noite não dormi nada.
Título:O artista
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 40 x 50 cm
Artista: Diego El Khouri
Foto: Marcos Lobo
por: diego el khouri
nasci ruínas. outsider da galáxia de parnaso. sempre estive pisando no chão da classe operária. em alguns momentos vagabundo do dharma a lá jack kerouac, em outros bukowski bêbado perdido na noite solitária dos viciados. vivi em mim todos os diegos possíveis, todos os cantos de morte, todos os gritos de prazer, todas as fomes do amor — de maldito imoral decandente ao trabalhador questionador desse capitalismo vil e inescrupuloso, até o artista incompreendido que causa burburinhos e lendas que muitas vezes nem compactuam com a realidade. ácido. língua-veneno. língua-fogo. língua-porrada. flâmulas flamejantes de intensidade selvagem. sensibilidade emancipadora. guilhotina. o ponto e a vírgula onde não se encaixam. sintaxe troncha. dor no estômago. gastrite. Fumo e cerveja. a noite fria transitando no calor dos corpos. cada dia mais isolado. pau na buceta. cheiro. gozo. palavras. voltar sozinho pra casa. ligar o chuveiro e não dizer mais nada.
por: diego el khouri
por diego el khouri perambulando pelas ruas fétidas do abismo estômago roncando de fome dentes cerrados um trago de alguma coisa a ...